Contemplado com o XV Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, o artista percorreu diversos bairros da capital paraense para realizar registros de pessoas e paisagens pela cidade, e apresenta pesquisa na Fotoativa, na próxima quarta-feira, 22 fevereiro, a partir das 19h, com entrada franca.

O fotógrafo Cyro Almeida aportou em Belém pela primeira vez em 2009 para visitar um amigo e desde que conheceu a capital incrustada na Baía do Guajará, voltou diversas vezes. A partir do olhar atento à paisagem urbana da capital, ele começou a registrar os movimentos de transeuntes nas ruas, a locomover-se de van – transporte alternativo e ainda não regulamentado – e a manter diálogos com desconhecidos, num trabalho solitário de fazer fotografias. Desde dezembro, ele realiza uma pesquisa visual nos bairros da São Brás, Guamá, Condor, Jurunas e Cidade Velha para o projeto “Pequena Rota do Insuspeitável”.

O projeto, contemplado com o XV Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, levará as imagens das pessoas fotografadas até onde elas residem ou trabalham, já que muitas vezes o artista andou por vilas e feiras. Por isso, ele optou pela produção de um fotolivro em formato de jornal tablóide de 32 que será distribuído gratuitamente do Ver-o-Peso ao Mercado de São Brás. Para a realização dos contatos e andanças, Cyro contou com a ajuda do amigo Alexandre Guimarães, artista e poeta conhecido como Joker Índio.

Em janeiro deste ano, o fotógrafo realizou o percurso descrito no fotolivro e que revela a rota por onde passou para fazer as imagens. “Toda fotografia que fiz até hoje é uma tentativa de me aproximar de lugares que sem ela eu não conheceria. Ela é um agente que me provoca a estar em ambientes que sem ela, pela próprias relações sociais e urbanísticas, do lugar de onde venho, de uma classe média universitária, não teria condições para estar”, diz Cyro sobre a escolha dos espaços percorridos no trabalho.

A relação do fotógrafo com a cidade periférica, gérmen do projeto, começou a surgir quando ele ficou hospedado na casa de Adriele Silva da Silva, integrante da Fotoativa. “Fiquei hospedado no Guamá e passei a andar pelo bairro com a câmera, fotografando a feira do bairro, a avenida José Bonifácio e a avenida Bernardo Sayão. A partir de 2015, comecei a usar as vans como meio de transporte, o que sempre me diziam que eu deveria evitar. Mas ocorreu que um dia precisei ir do Guamá até o Mangal das Garças, e me disseram que a melhor maneira era ir de van, e achei que realmente era a opção mais viável para este deslocamento”, relembra.

A partir deste outro trajeto, que não o dos coletivos comuns, da janela do veículo passou a entrar ainda mais em cenários desconhecidos, observando a característica dos belenenses fora do centro, a arquitetura, o gesto. “Via que tinha uma paisagem comum, que me interessava. Tem uma questão que me encanta e me interessa muito, já vi sendo dita pelo Mariano Klautau, pelo Luiz Braga e Alexandre Sequeira, que é a postura das pessoas. Os moradores de Belém, principalmente das periferias, têm uma postura que eu não vi em outros lugares do Brasil e que se você me pedir para explicar, não vou saber te dizer”, comenta.

SERVIÇO

Portas Abertas com Cyro Almeida (MG)
“Pequena Rota do Insuspeitável”
Quarta-feira, 22 fevereiro 2017, às 19h
Fotoativa – Praça das Mercês, 19 – Centro Histórico de Belém
Entrada Franca

Release por Dominik Giusti

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