Rafael Segatto, em residência na Fotoativa desde outubro, encerra seu ciclo de permanência no Casarão com um jantar-experiência no dia 13 de dezembro, quarta-feira, às 19h.

Como forma de compartilhar com o público parte de seu percurso e pesquisa desenvolvida ao longo de pouco mais de dois meses, o artista propõe um encontro em torno da feitura de uma moqueca capixaba, para um número limitado de participantes, tramando no ato de cozinhar impressões acerca de sua experiência em Belém.

Para participar, é preciso se inscrever antecipadamente através do e-mail residencia@fotoativa.org.br, indicando em brevíssimas linhas suas motivações para participar da ação. O jantar acolherá até 20 pessoas através de pagamento consciente*. A iniciativa também visa contribuir para o prolongamento da estada do artista na região e adensamento de suas pesquisas.

Se por um lado Segatto parte da fotografia para pensar seu ponto inicial de pesquisa, estabelecendo aproximações entre Belém e Vitória (sua cidade natal), ambas cidades permeadas pela presença da água e de práticas correlacionadas. Por outro, são incontornáveis os entrecruzamentos de memórias e afetos que o levam à elaboração deste jantar-experiência, um lugar de encontro e trocas. Entre o deslocamento e a permanência, a construção de sua proposta encerra o ciclo de residência e alarga por mais um mês sua permanência, aprofundando sua pesquisa pela região.

 


Rafael Segatto, 2017.

 

Confira aqui breve relato do artista acerca do jantar-experiência a ser realizado na Fotoativa.  
O reconhecimento de um outro/novo lugar demanda um olhar atencioso. Um olhar que envolva escuta, odores, gostos e ritmos. Para mim, a fotografia é esse olhar expandido. Uma observação que vai além da própria construção da imagem e se configura nos espaços, nas trocas possíveis ao percorrer um determinado território. Belém é agora o meu território possível, onde discuto sobre questões de deslocamento e permanência, e me deparo com minhas memórias afetivas. Me aproximo da cidade a partir do estranhamento que ela me causa.

Venho do litoral do Espírito Santo, onde as marés têm um ritmo distinto, a densidade da água é outra e o cheiro também. Onde a culinária, também influenciada por indígenas, se constitui de outro modo. O gosto do peixe de água salgada é diferente do peixe de água doce. O peixe cozido é moqueca e não caldeirada. Vir à Belém, ser atravessado por ela, me leva à Bahia de minha infância, quando meu pai preparava a moqueca capixaba, nossa particularidade regional. Me leva aos dias de pesca, na boca da barra do Jucuruçu ou nos arrefices em alto mar.

Pelas minhas andanças não me interessa afirmar de onde venho, mas é essa tensão entre a minha própria história e a que construo agora, são todas essas divergências, que me integram as geografias e propiciam a produção dos meus afetos. Preparar uma moqueca capixaba, então, tem a ver com essas questões que levanto aqui, com os estranhamentos das águas do norte, do calor da cidade e, ao mesmo tempo, com a acolhida repentina que venho recebendo desde o dia em que cheguei neste lugar.

Rafael Segatto

Nasceu em Vitória-ES em 1992. É graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela Faculdades Espírito-Santenses (Faesa) e autor do Guia Afetivo da Comida de Rua de Jardim da Penha. Desde 2015 desenvolve projetos de fotografia voltados às artes visuais, como as séries postais de Camburi e por onde habito. Em 2014, foi colaborador no fanzine Vaibe América Latina, uma publicação de fotografias analógicas do coletivo Foi à Feira (Vitória-ES).

Utiliza a fotografia como prática para compreender como o indivíduo se relaciona com suas próprias memórias e experiências a partir das relações de viagem, travessia e permanência, produzindo assim um olhar sobre as paisagens, os lugares e as pessoas. Além disso, a geografia física permeia suas pesquisas. É a partir dela que ele constrói possibilidades estéticas e conceituais para dialogar sobre as influências do meio e como interage com ele.

 

Pagamento Consciente

Esta atividade é realizada através de Pagamento Consciente, onde o valor é calculado pelo próprio participante, como forma de não restringir a participação do público interessado, que deve levar em conta: suas possibilidades financeiras, aquilo que estima que recebeu, investimento na realização da ação e prolongamento da estada do artista na região, bem como continuidade do projeto Fotoativa.

 

SERVIÇO

Formas de voltar pra casa, jantar-experiência com Rafael Segatto (ES)
Associação Fotoativa, Praça das Mercês, nº19
13 de dezembro, às 19h
Vagas limitadas: até 20 pessoas


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