Conferências e exposições serão realizadas em diversos espaços de Belém

 

Edição do vídeo ‘Delírio em Rio Mar’, instalação Breu das Horas. Foto: Tayná Cardel.


Na noite desta quarta-feira, 22, a Associação Fotoativa e o Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará dão início ao X Colóquio de Fotografia e Imagem. O encontro, gratuito e aberto a todos os públicos, se estenderá até o dia 25 de agosto, atravessando o universo de
Arquivos e Outras Memórias em uma programação compartilhada em vários espaços da cidade. Repertórios imagéticos serão revisitados entre mesas de debate, conferências, leituras de portfólio, workshops, projeções, laboratórios temáticos de pesquisa e exposições.

A Fotoativa será o espaço de abertura que, com uma fala inicial de Miguel Chikaoka, fundador da associação, propõe um passeio imagético pelo acervo do lugar, recebendo o público para conversar sobre Fotografias e Memórias de um Arquivo, e dar início às comemorações dos 34 anos da Fotoativa. “Comemorar todo esse tempo é perceber o tamanho que a gente se tornou, mas sem esquecer onde começamos e do contexto histórico e político em que o nosso coletivo estava inserido. É resgatar, inclusive, a importância de nossas ações dentro desse contexto, e o que isso faz reverberar até hoje na dinâmica da casa, nos fluxos e nos afetos”, declara Miguel.

Na sequência, o artista e pesquisador Mariano Klautau Filho apresenta a conferência  Fotografia no Brasil hoje, aqui, ali e ao redor, para refletir sobre questões contemporâneas que dizem respeito a coleções, acervos e exposições. “Considerando Belém como circuito de observação, produção, experiência e exibição da fotografia brasileira, vou destacar a importância da relação entre exibição, pesquisa e acervos em um processo no qual revela-se certa emergência das coleções e/ou reorganização de acervos”, explica Mariano, que também é curador e dedica-se, dentre outras coisas, às invisibilidades urbanas reveladas no olhar fotográfico.

 

Suspensão de Matapi. Detalhe da instalação Todas as Águas. Foto: Tayná Cardel.


Memórias de tantos lugares

A noite de abertura abre ao público exposições que narram histórias coletivas de memórias construídas em diversos lugares. O coletivo francês Suspended Spaces exibe Arquivos Audiovisuais de alguns trabalhos que resultam de vivências por paisagens-arquivos, frutos de construções inacabadas e lugares abandonados, os quais os artistas-pesquisadores do coletivos visitam. A experiência do grupo percorre desde as fronteiras do Mediterrâneo até a Amazônia Brasileira e chega, mais precisamente, em Fordlândia, cidade industrial construída à beira do rio Tapajós no início do século XX,  que resultou em 1 milhão de hectares de floresta desmatado, desequilíbrio ecológico e impacto social irreversíveis em comunidades tradicionais.

Na sequência, a Fotoativa será tomada por interferências poéticas em diferentes formatos e linguagens artísticas, resultantes de prêmios do Programa de Incentivo à Arte e Cultura – SEIVA, da Fundação Cultural do Pará. Duas instalações e uma exposição convidam o público a experimentar o casarão imerso de memórias urbanas e insulares, múltiplas amazônias pelos olhares de Véronique Isabelle, José Viana e Éder Oliveira.

Por Todas as Águas que percorre na ilha do Jamaci, Véronique Isabelle constroi pontes de relação em uma busca de sua ancestralidade e do encontro de si. Parte da vivência é contada na instalação criada pela artista e pelos moradores da ilha, que narram por meio de objetos, pinturas e desenhos as histórias desse lugar. “Todas as Águas é esse mundo do sensível, das relações, o encontro que gera um tempo outro de viver as coisas, e que é determinado pela natureza, quando a casa começa na canoa, os caminhos são pontes submersas e até a relação com o chão é outra”, relata Véronique, que fez morada na ilha enquanto escrevia uma tese de doutorado sobre a vivência.

Em Breu das Horas, José Viana caminha pelo oco dos espaços de Rio Mar, uma travessia poética de uma ilha que reinventa o tempo no encontro das águas doce de ancestralidade amazônica e das águas oceânicas que trazem a modernidade. “Quero um outro tempo das coisas, por isso me desloquei para um ilha que está localizada como vontade, e não em um lugar concreto. Talvez memórias e conexões minhas. É como se eu me sentisse feito dessas duas águas”, reflete José, enquanto reúne sementes e combina fervuras tentando resgatar alguma energia sagrada dessas terras alagadas.

Em Processo expõe o anonimato dos homens amazônicos, onde Éder Oliveira se mistura a outros rostos para contar uma história que poderia ser de qualquer um. O artista apropria-se de fotografias publicadas em cadernos policiais para discutir questões sociais relacionadas a um povo. “São retratos para pensar não sobre quem é culpado ou inocente, mas para perceber que uma parte representativa dos homens amazônicos é marcada socialmente de forma negativa”, diz Éder.

 

Detalhe da exposição Em Processo. Foto: Tayná Cardel.


A abertura da exposição e das instalações ocorre a partir de 21h no casarão, marcando o início de debates e encontros acerca das poéticas visuais. Além da Fotoativa e do PPGArtes, o X Colóquio de Fotografia e Imagem reúne parceiros e apoiadores que tornam possível esse encontro, realizado nos espaços da Fotoativa, do Centro Cultural Sesc Boulevard, da Galeria Benedito Nunes e da Casa das Artes
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Serviço:
X Colóquio de Fotografia e Imagem
Abertura: 22 de agosto (quarta-feira), às 18h30, na Fotoativa.
Boas-vindas: Fotografias e Memórias de um Arquivo: A Fotoativa, Miguel Chikaoka.
Conferência Inicial: Fotografia no Brasil hoje, aqui, ali e ao redor, Mariano K. Filho.
Projeções: Arquivos Audiovisuais, coletivo Suspended Spaces.
Instalações e Exposição:Todas as Águas, de Véronique Isabelle; Breu das Horas, de José Viana; Em Processo, de Éder Oliveira.
Programação completa: <http://fotoativa.org.br/coloquio2018/>
Entrada livre.

 

Sobre Mariano Klautau Filho
É artista, pesquisador em arte e fotografia e curador independente. Doutor em Artes Visuais pela Universidade de São Paulo e mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP. Curador do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Foi curador visitante e consultor de fotografia da Pinacoteca de São Paulo, nos anos de 2016 e 2017. Possui obras nos acervos do Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Fotografia da Cidade de Curitiba, Coleção Joaquim Paiva – RJ, Coleção Pirelli/MASP – SP, Museu do Estado do Pará – Belém e Museu de Arte do Rio – MAR/RJ.


Sobre
Suspended Spaces
Coletivo independente, reunidos pelo desejo de trabalhar juntos e com outros artistas e pesquisadores internacionais. Existe desde 2007 e sua base é Paris. Jan Kopp é artista, nascido em Francfort (Alemanha). Jacinto Lageira é filósofo, professor de estética na Universidade de Paris (Panthéon-Sorbonne). Daniel Lê é artista e professor de artes plásticas na Universidade Picardie Jules Vernes (Amiens, France). Françoise Parfait  é professor de artes plásticas e novas mídias na Universidade de Paris (Panthéon-Sorbonne) e artista. Eric Valette é professor-pesquisador de artes plásticas na Universidade Picardie Jules Vernes (Amiens, France) e artista. Outros membros associados ao coletivo são Marcel Dinahet, Maider Fortuné e Valerie Jouve.


Sobre Véronique Isabelle
Doutora em Antropologia, pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia, da Universidade Federal do Pará. Trabalha a simbologia das águas na região das ilhas de Belém. Tem Mestrado em Antropologia Social, pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia, também da UFPA. Possui graduação em Artes Visuais pela Université Laval, em Québec, Canadá. Tem experiência na área da Antropologia e das Artes, com ênfase em artes visuais e antropologia visual e da imagem, atuando principalmente nos seguintes temas: paisagem, memória, imaginário, populações ribeirinhas, Amazônia e água.


Sobre José Viana
Nasceu em 1988, em Belém (PA). Graduado em Comunicação Social pela FAP – Faculdade Estácio Pará, estudou artes visuais no IUNA – Instituto Nacional del Arte, Buenos Aires, Argentina. Artista e professor do curso de Cinema da UFPA. Atualmente desenvolve seu mestrado em Artes Visuais no ICA/UFPA, em uma investigação que permeia as noções de tempo, paisagem, performance e ficção. Na área da comunicação, trabalha como editor, produtor de textos e designer gráfico. Desde 2014 coordena o Núcleo de Comunicação e Difusão da Associação Fotoativa e é Colaborador em Comunicação da ABRA – Rede Brasileira de Arteducadores desde 2010.


Sobre Éder Oliveira
Licenciado em Educação Artística – Artes Plásticas pela Universidade Federal do Pará. É pintor por ofício e desde 2004 dedica-se artisticamente a investigar as relações entre retrato e identidade, tendo como objeto principal o homem amazônico. Experimenta diversos suportes, como óleos sobre tela, intervenções e site-specifics. Realizou as exposições individuais Pintura ou a Fotografia como Violência (Palácio das Artes, Belo Horizonte, 2017), Malerei – oder die Fotografie als Gewaltakt (Kunsthalle Lingen, Alemanha, 2016), Você é a Seta (Galeria Periscópio Arte Contemporânea, Belo Horizonte, 2016), Páginas Vermelhas (Galeria Blau Projects, São Paulo, 2015) e Alistamento (Sesc Boulevard, Belém, 2015), além de participar de diversas exposições coletivas. Possui trabalhos em acervo de instituições como Centro de Arte Dos de Mayo – Madrid, Museu Casa das Onze Janelas, Museu de Arte de Belém, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Museu de Arte do Rio, Kunsthalle Lingen – Alemanha, Fundação Clovis Salgado e Itaú Cultural. Mais sobre o artista em <www.ederoliveira.net>.


Texto: Raphíssima e Yvana Crizanto, colaboradoras da Fotoativa.

 


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