Fotoativa comemora 34 anos de trajetória de fotografia em Belém

Belém, Pará, Brasil. Cultura. Arquivos pertencentes ao acervo da Associação Fotoativa.

Neste mês da fotografia, a Fotoativa comemora 34 anos de trajetória de formação e provocações em torno da imagem, com programação neste sábado (25), a partir das 21h, na praça das Mercês, como encerramento do X Colóquio Internacional Fotografia e Imagem. O evento é uma realização da Associação Fotoativa e Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará, que nesta semana reuniu estudantes, pesquisadores, professores, artistas e interessados pelo campo visual, em diversos pontos de estudos e artes de Belém. O evento, realizado desde 2002, é um trabalho coletivo de instituições culturais parceiras, e em 2018 percorreu os espaços da Fotoativa, do Centro Cultural Sesc Boulevard, da Galeria Benedito Nunes e da Casa das Artes, com inscrições gratuitas.

A fotografia nas década de 80 e 90 fervia na praça Ferro de Engomar, hoje chamada de Coaracy Nunes, no bairro da Campina, centro de Belém. “Na porta da casa se via a luz vermelha do laboratório, e as pessoas entravam e saiam sorrindo. Quem estava na praça ficava curioso sobre o que acontecia ali”, conta Miguel Chikaoka, fundador da Fotoativa, falando sobre a época em que a sede da associação era localizada em frente à praça. Para celebrar essa trajetória, a programação traz o Fotovaral Fotoativa 34 anos luz, com fotografias que resgatam a memória coletiva da associação. O artista Nando Lima apresenta sua “Performance de bolso”, e o Som na Praça fica com show do músico com Félix Robatto, e seu estilo regional.

A Fotoativa é uma associação cultural sem fins lucrativos, fundada em 1984, em Belém. Fundada por Miguel Chikaoka, no contexto de abertura política do Brasil, na confluência de ações e experiências coletivas como o Fotovaral, Grupo FotoOficina (1982-1984), o Fotopará – Mostra Paraense de Fotografia (1982-1984) e Grupo Fotopará (1984- 1986), ela se consolida como um núcleo de referência singular para o desenvolvimento e integração da fotografia no contexto sociocultural da região amazônica. Hoje é formada por um corpo de artistas, educadores e pesquisadores de diversas áreas em constante renovação, abarcando outras linguagens em suas práticas e reflexões.

Em seus mais de 30 anos de história, traz na experimentação a fonte do reinventar de cada dia, reunindo pessoas e realizando práticas artesanais e lúdicas em oficinas e ações junto a diferentes comunidades e populações da região. A educação, em sua acepção expandida, é um dos pilares de base que fazem da Fotoativa um movimento viral que se expande para além de suas paredes, através da instrumentalização sensível de educadores e curiosos. “As dinâmicas de trocas e partilha afirmam a associação enquanto um potente lugar de encontro que se irradia a partir de uma programação que abrange desde rodas de conversas informais, grupos de estudos (pedagógicos e artísticos), ateliês práticos, passando por palestras, seminários, exposições, intervenções urbanas, que fortalecem ainda mais o espírito coletivo”, afirma Camila Fialho, presidenta da Fotoativa. Em 2005, a entidade se fixa em casarão antigo na praça das Mercês, onde até hoje desenvolve suas atividades.

 

“Pensar no surgimento da Fotoativa é fazer um exercício de prospecção política muito importante, não só a respeito da história da Fotoativa como também das relações socio-políticas de todos nós. A Fotoativa sempre foi pensada coletivamente, pensamos a imagem não só a partir do olhar do fotógrafo, como também percebendo os processos, as práticas. Hoje isso reverbera em nossos fluxos, na permeabilidade da casa, nas ações. Politicamente e fundamental nos mantermos juntos, principalmente tentando preservar a memoria num mundo que estimula o esquecimento”, diz Miguel.

Colóquio

 O X Colóquio Internacional Fotografia e Imagem segue neste sábado, dia 25, com a  mesa “Arquivos e memórias: Fordlândia, um arquivo moderno a céu aberto”, 10h, no Sesc Boulevard, com Françoise Parfait (Université en Arts et médias, Paris 1 – Panthéon-Sorbonne), Eric Valette (Faculté des Arts d’Amiens, Universidade Picardie Jules Verne), Alessia de Biase (Laboratoire Architecture Anthropologie UMR LAVUE, École Nationale d’Architecture de Paris), Jan Kopp e coletivo Suspended Spaces, com mediação de Daniel Lê (Suspended Spaces) e Camila Fialho (Associação Fotoativa). No mesmo local, 16h, tem a mesa Imagens de arquivo, Sávio Stoco (Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes-Unicamp | Doutorando – USP), Susana de Souza Dias (Faculdade de Belas Artes em Lisboa / PT), Nassif Jordy (Belém / PA), com mediação Felipe Pamplona (Núcleo de Produção Audiovisual | Casa das Artes – Fundação Cultural Tancredo Neves).

Às 19h, tem conferência de encerramento com Christian Bendayán (Lima / Peru) Cartografias da fotografia amazônica:  imagens e arquivos fotográficos do Peru.

Serviço:

Encerramento do X Colóquio Fotografia e Imagem e 34 anos da Fotoativa, nesse sábado, dia 25, a partir das 21h, na praça das Mercês. No Sesc Boulevard, tem programação gratuita às 10h, 16h e 19h. Mais informações no www.fotoativa.org.br/coloquio2018.

MINIBIOS

Alessia de Biase é arquiteta e doutora em antropologia social e etnologia, dirige o Laboratório de Arquitetura Antropológica (LAA/ENSA de Paris La Villette/UMR LAVUE 7218 CNRS)

e é professora de antropologia da cidade na Enta Paris La Villette. Propõe uma antropologia da transformação urbana vista como um processo espaço-temporal cuja produção física do espaço se entrelaça continuamente com as histórias dos atores que a pensam, governam e habitam. Propõe uma observação detalhada do espaço urbano que está sendo feito e as temporalidades que o governam para associar, em uma etapa crítica, com uma etnografia e uma análise do jogo dos atores (habitantes, designers e tomadores de decisão) que co-participam em diferentes escalas na transformação urbana. Desde 2013 ela coordena dentro de sua equipe (LAA) uma linha de pesquisa “herdar o futuro” que questiona o futuro como uma construção cultural que em todas as épocas usou a cidade como uma máquina do tempo, para dar forma aos vários modos de projeção no futuro.

Françoise Parfait é professora de artes visuais e novas mídias na Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne e artista. Sua pesquisa, tanto prática quanto teórica, trata da questão das imagens temporais e sua recepção no campo da arte (Vidéo : un art contemporain, Regard, 2001 ; catálogo Collection Nouveaux Médias/Installations, Centre Pompidou / Musée national d’art moderne, 2006 ; catálogo David Claerbout – The Shape of Time, JRP/Ringier, 2008). Membro fundador do coletivo Suspended Spaces, desde então se interessa pelos espaços geopolíticos herdados da modernidade, cuja história e futuro são “incertos”. Sua instalação trabalha em durações de etapas de vídeo e temporalidades na interface entre tempo real e tempo pareado.

Eric Valette, nascido em Bron, vive em Paris. Ele é um artista e professor de artes visuais da Universidade de Picardie Jules Verne (Amiens, França). Trabalha com a questão da representação e, mais particularmente, na perspectiva e na relação com a realidade. Seus trabalhos utilizam vídeo enquanto instalação, desenho e performance. Cofundador do coletivo Suspended Spaces, também colabora com o coreógrafo baseado em Bruxelas, Mauro Paccagnella. www.ericvalette.net

Daniel Lê, artista, vive e trabalha em Paris. Professor de artes visuais na Universidade Jules Verne Picardie (Amiens, França). Membro fundador do coletivo Suspended Spaces, desenvolve um trabalho artístico que captura vídeo, filme, desenho e instalação. Nos últimos anos, ele concentrou sua pesquisa sobre a questão do documentário e o papel da voz em particular How I shot Hitler et God save the King, vídeos que misturam histórias e documentos pessoais, memórias e músicas que encontram a grande narrativa da História.

Jan Kopp, artista nasceu em Frankfurt e vive em Lyon. Depois de estudar filosofia na Sorbonne (Paris IV), formou-se na École des Beaux-Arts em Paris, em 1996. Seguiu vários programas de residência na França e no exterior, incluindo PS1 / Moma, em Nova York. Muito cedo chama a atenção por suas intervenções em espaços públicos, ocupando lugares vagos das cidades (“Butte with poppies” em Ivry sur Seine (1993) e Berlin (1994). Em seu trabalho, utiliza diversas linguagens (som, vídeo, desenho, escultura, performance). Desdobra-se também em vastas instalações projetadas tanto para os espaços que ocupam, quanto formas mais discretas. www.jankopp.net

 

Texto: Yvana Crizanto com colaboração de Raphissima

Núcleo de Comunicação e Difusão

 


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