Há uma rua correndo sob a pele

Um homem comum na rua é apenas isso. Um ser anônimo. Nem culpado nem inocente. Se perceber enquanto anônimo é o que Éder Oliveira tem feito retratando fotos publicadas em jornais, imagens de pessoas expostas e classificadas na maioria das vezes por questões de classe social. Nesta quarta-feira, 5 de setembro, a Fotoativa abre as portas do casarão para uma roda de conversa com Éder Oliveira, mediada por John Fletcher, e as histórias que poderiam ser de qualquer um de nós.

Em Processo expõe retratos urbanos coletivos feitos pelo artista que, após realizar ateliê aberto no mês de agosto e debater sobre a acessibilidade dos processos artísticos contemporâneos, conversará sobre o resultado da relação com o público enquanto criava a obra.


Detalhe da obra Em Processo. Foto: Tayná Cardel.


O que pode parecer simples aos nossos olhos, amplia-se na escala do sensível. O impacto visual de rostos comuns pintados, desta vez, em óleo sobre tela, revela o extrato de um povo. Seres amazônicos em biotipo, ancestralidade e narrativas de vida tantas vezes criminalizadas pela cor e pobreza. “São retratos para pensar não sobre quem é culpado ou inocente, mas para perceber que uma parte representativa dos homens amazônicos é marcada socialmente de forma negativa”, diz Éder.

Em Processo reconta histórias sem sabê-las, porém aprofunda-se para além da pessoalidade de cada indivíduo retratado. Mais que um nome ou ação noticiada em jornal, o estado de ser desconhecido reverbera coletivamente. Se ver em muros ou telas ao dobrar uma esquina, afinal, faz significar os espaços que se ocupa nas cidades.

A rua enquanto estado de ser. Um retrato das gentes,

 

** O projeto foi contemplado com o Prêmio de Produção e Difusão Artística da Fundação Cultural do Estado do Pará.

 


Fotoativa Portas Abertas: Em Processo, de Éder Oliveira
Roda de conversa: 05 de setembro, às 19h.
Local: Associação Fotoativa (na praça das Mercês, bairro da Campina)
Exposição aberta: até o Círio, de seg a sex de 14h às 20h e sab de 9h às 13h.
Entrada Livre.

 

Sobre Éder Oliveira
Licenciado em Educação Artística – Artes Plásticas pela Universidade Federal do Pará. É pintor por ofício e desde 2004 dedica-se artisticamente a investigar as relações entre retrato e identidade, tendo como objeto principal o homem amazônico. Experimenta diversos suportes, como óleos sobre tela, intervenções e site-specifics. Realizou as exposições individuais Pintura ou a Fotografia como Violência (Palácio das Artes, Belo Horizonte, 2017), Malerei – oder die Fotografie als Gewaltakt (Kunsthalle Lingen, Alemanha, 2016), Você é a Seta (Galeria Periscópio Arte Contemporânea, Belo Horizonte, 2016), Páginas Vermelhas (Galeria Blau Projects, São Paulo, 2015) e Alistamento (Sesc Boulevard, Belém, 2015), além de participar de diversas exposições coletivas. Possui trabalhos em acervo de instituições como Centro de Arte Dos de Mayo – Madrid, Museu Casa das Onze Janelas, Museu de Arte de Belém, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Museu de Arte do Rio, Kunsthalle Lingen – Alemanha, Fundação Clovis Salgado e Itaú Cultural. Mais sobre o artista em <www.ederoliveira.net>.


Sobre John Fletcher
Professor Adjunto da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará (FAV/UFPA). Doutor em Antropologia (PPGA/UFPA) e Mestre em Artes (PPGArtes/UFPA). Durante doutoramento realizou estudos na Universidad del Cauca, bem como na cidade de Santiago de Cali, ambas na Colômbia, dentre outras localidades. Suas pesquisas envolvem Artes Visuais na Amazônia, Antropologia Visual, Pós-Colonialismo e Decolonialismo. É membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA).

 

Texto: Raphíssima, colaboradora da Fotoativa.


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