Sê barco. Sê porto. E a ponte entre Todas as Águas.

Do outro lado, um barco à espera, pontes sobre a várzea, casas temporárias, maré de lance e cabeças enluarad­­as. Narrativas derivadas da natureza. Histórias que daqui não se ouvem.

Jamaci é um igarapé pra lá de Belém, na ilha de Paquetá, um universo anfíbio, de relação direta e sensível com a várzea, a lua cheia e a lua nova. Disso dependem o trânsito das embarcações, os caminhos do mangue, o tempo em que a casa permanece à margem, o fluxo pesqueiro, o açaizal. Sobre o estar ali, não sabemos. Assim chegaram as artistas Véronique Isabelle e Débora Flor, para uma vivência sem previsão.

 

Detalhe do mapa cosmológico criado por moradores de Jamaci. Foto: Tayná Cardel.

 

Todas as águas conta dessa permanência, que se estabeleceu inicialmente por uma pesquisa de doutoramento de Véronique e se entende como investigação de vida da artista e antropóloga que atravessou outros caminhos até chegar a Belém. Uma instalação que reúne diversos trabalhos em colaboração, que traz um pouco desse mundo insular desconhecido e ainda romantizado por nós. “Dizemos desse mundo do sensível, das relações, o encontro que gera tempos outros de viver, determinado por caminhos submersos”, diz a artista, que construiu sua primeira canoa longe das águas Amazônicas, ainda na adolescência.


Para contar essas histórias, Véronique, Débora, Conceição, Ocinéia, Mileide, Milena, Oneno, Éder, Léo e outros moradores de Jamaci criaram um inventário poético instalado na Associação Fotoativa e aberto à visitação. Nós, que estamos do lado daqui, podemos entender dessa criação coletiva e adentrar seus afetos durante a roda de conversa proposta por Véronique Isabelle, nesta quarta-feira, às 19h, no casarão.

 

Rascunho e documento de pesquisa da artista.

 

Todas as águas nos faz percorrer as efemeridades desses tempos de lá. Quem sabe até nos trague de volta.

 

 

,

 

só há saída
quando a maré
dá na cabeça.

 

 

Fotoativa Portas Abertas – Todas as Águas
Roda de conversa: 19 de setembro, às 19h
Local: casarão da Fotoativa (praça das Mercês, bairro da Campina)
Instalação aberta: até o Círio, de seg a sex de 14h às 20h e sab de 9h às 13h
Entrada Livre.

 

Todas as Águas tem a colaboração de Conceição Alves R­­­ibeiro; Débora Flor; Joseana de Souza; Mileide Souza Rodrigues; Milena Souza Rodrigues; Nathalia Almeida; Ocinéia Souza Rodrigues; Éder Ribeiro Campos; Flávio Leonel Abreu da Silveira; Igor Oliveira; Léo Bitar; Marcílio Costa; Oneno Brito Moraes.

Acompanhamento Curatorial de Camila Fialho.

 

Sobre Véronique Isabelle
Doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal do Pará. Graduada em Artes Visuais pela Universidade Laval (Québec) e pela Escola Superior de Belas Artes de Marselha (França). Participou de diversas exposições no Canadá, na França e no Brasil, assim como de residências artísticas, curadorias e projetos em colaboração com outros artistas, compartilhando experiências em diferentes instituições e comunidades. Desenvolve pesquisas atravessando mundos insulares, a partir de relatos, paisagens sonoras, livros, pinturas e instalações artísticas.

 

*É fruto da tese Uma Co-deriva: no mundo sensível de Jamaci e nas múltiplas dimensões das paisagens insulares e de várzea belenenses.
Com a orientação do professor-pesquisador Flávio Leonel Abreu da Silveira. PPGSA/UFPA.

**O projeto artístico foi contemplado com o Prêmio de Produção e Difusão Artística do Programa Seiva, da Fundação Cultural do Pará.

 

Texto: Raphíssima, colaboradora da Fotoativa.

 


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