O Exílio e O Breu. Uma travessia poética com José Viana.


(ou Conversas com Delírio)

 

Delírio, um palhaço caminhante coletor de sementes da ilha Rio Mar, vive do lado de lá de um continente extremamente veloz, no encontro das águas doces de ancestralidade amazônica e das águas oceânicas que trazem a modernidade. Assim sentimos o Breu das Horas, travessia poética criada por José Viana, que inventa um tempo em que a busca pelas energias sagradas da terra é sempre presente.

Entre raízes, folhagens, fervuras, o artista incorpora um personagem nascente e revira-se na imensidão de si para habitar esse lugar de criação. O imaginário de José é materializado nas caminhadas de Delírio, em conflito com as temporalidades dessas águas, desejos e matérias de diferentes energias.

 


Fragmento de Breu das Horas. Foto: Jorge Ramos.

 

O mundo de Rio Mar transformou-se em uma instalação aberta nos quartos do fundo do casarão da Fotoativa e que terá três momentos de vivência, nos dias 2, 6 e 9 de outubro. As portas estarão abertas para diálogos com o artista e a escritura do conto de Delírio.

 


Conto de Delírio, em construção. Foto: Jorge Ramos.

 

No conto, o palhaço Delírio é preso político, e carrega consigo uma semente que eclode no solo da imaginação, um possível exílio. No breu das horas, entre pequenas dádivas da natureza, o encontro com a mulher semente; a barricada diante da força das águas; a coleta de elementos para uma possível oferenda; o plantio de árvores secas na areia; e por fim, a bandeira negra na curva do horizonte.

Fragmentos poéticos dessa narrativa vivida entre o oco dos espaços. O habitar as margens e dar às sementes outras formas virtuais, sonoras, táteis. Objetos, desenhos, pinturas, fotografias, interferências sonoras e visuais. Cores que surgem a partir de cascas e amêndoas.

Breu das Horas é interferência poética, travessia sensorial, movimento vivo de criação, dúvida inventada pelo artista.

 


Sementes de Rio Mar. Foto: Tayna Cardel.

 

Ou: “Um trabalho que encontra o tátil, primeiro pegando no mundo, como uma criança”.

 

Conversas com Delírio
Dias 2, 6 e 9 de outubro.
Nos quartos dos fundos do casarão Fotoativa (praça das Mercês, 19)
Às terças, 2 e 9 de outubro, de 15h às 20h, com conversa marcada às 18h.
No sábado, 6 de outubro, de 10h às 13h, com conversa marcada às 11h.
Entrada Livre.

 

Sobre José Viana
Graduado em Comunicação Social pela FAP – Faculdade Estácio Pará, estudou artes visuais no IUNA – Instituto Nacional del Arte, Buenos Aires, Argentina. Artista e professor do curso de Cinema da UFPA. Atualmente desenvolve seu mestrado em Artes Visuais no ICA/UFPA, em uma investigação que permeia as noções de tempo, paisagem, performance e ficção. Na área da comunicação, trabalha como editor, produtor de textos e designer gráfico. Desde 2014 coordena o Núcleo de Comunicação e Difusão da Associação Fotoativa e é Colaborador em Comunicação da ABRA – Rede Brasileira de Arteducadores desde 2010.

 

*A instalação Breu das Horas é parte do projeto Exílio do Tempo, contemplado com o Prêmio de Pesquisa e Experimentação Artística da Fundação Cultural do Pará.

**Colaboração artística de Camila Fialho e Felipe Mendonça. Curadoria de Camila Fialho.

***A investigação artística feita por José para o projeto Exílio do Tempo é parte de seu projeto de mestrado em andamento no Programa de Pós-Graduação em Artes, da Universidade Federal do Pará, sob orientação da professor-pesquisadora Claudia Leão.

 

Texto: Raphíssima, com colaboração de José Viana.


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