Durante duas semanas, de 01 a 15 de outubro de 2017, o artista visual Rogério Nagaoka, construiu uma exposição de fotografias de cidadãos paraenses da região do ver-o-peso, a fim de estabelecer um diálogo proposto por pessoas que trabalham neste local e passam efêmeras pelos espaços. As imagens se apresentaram em uma técnica natural, tomando como suporte um processo histórico chamado fitotipo ou Chlorophyll print, feito com o uso de plantas, folhas e diversos derivados de origem vegetal que sofrem mutação cromática com a exposição à luz, algo como um desbotamento. Esta técnica, utilizada apenas com materiais naturais para a reprodução da imagem, pode ficar mais clara ou simplesmente desaparecer por completo, em ambientes com luz muito intensa. O caráter pouco durável realizado na folha de uma planta coincide com a rápida passagem dos objetos e das transformações da vida cotidiana. Configurando uma proposta de trabalho sustentável e autônomo, a partir de registros impressos em papel de algodão com jato de tinta para exibição, em plantas através da captação e ampliação digital, cujas cópias finais foram impressas em folhas de plantas e montadas em suporte de madeira lado a lado (original e reprodução) como exemplo do desaparecimento da matéria.

Sobre o residente

Rafael Segatto, desenvolveu atividades na Fotoativa, no período de 09 de outubro a 13 de dezembro de 2017, sendo que estendeu sua estada na região até 22 de janeiro de 2018. “Formas de voltar para casa” foi a proposta de encerramento de sua residência, no compartilhamento de processos, um jantar-experiência foi organizado pelo artista. Para Rafael, o reconhecimento de um outro/novo lugar demanda um olhar atencioso. Um olhar que envolva escuta, odores, gostos e ritmos. A fotografia é esse olhar expandido. Uma observação que vai além da própria construção da imagem e se configura nos espaços, nas trocas possíveis ao percorrer um determinado território. Belém tornou-se seu território possível, onde discutiu sobre questões de deslocamento e permanência, e se deparou com suas memórias afetivas. “Me aproximo da cidade a partir do estranhamento que ela me causa. Venho do litoral do Espírito Santo, onde as marés têm um ritmo distinto, a densidade da água é outra e o cheiro também. Onde a culinária, também influenciada por indígenas, se constitui de outro modo. O gosto do peixe de água salgada é diferente do peixe de água doce. O peixe cozido é moqueca e não caldeirada. Vir a Belém, ser atravessado por ela, me leva à Bahia de minha infância, quando meu pai preparava a moqueca capixaba, nossa particularidade regional. Me leva aos dias de pesca, na boca da barra do Jucuruçu ou nos arrefices em alto mar. Pelas minhas andanças não me interessa afirmar de onde venho, mas é essa tensão entre a minha própria história e a que construo agora, são todas essas divergências, que me integram as geografias e propiciam a produção dos meus afetos. Preparar uma moqueca capixaba, então, tem a ver com essas questões que levanto aqui, com os estranhamentos das águas do norte, do calor da cidade e, ao mesmo tempo, com a acolhida repentina que venho recebendo dede o dia em que cheguei neste lugar”.

Sobre o residente: Rafael Segatto nasceu em Vitória-ES em 1992. É graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela Faculdades Espírito-Santenses (Faesa) e autor do Guia Afetivo da Comida de Rua de Jardim da Penha. Desde 2015 desenvolve projetos de fotografia voltados às artes visuais, como as séries postais de Camburi e por onde habito . Em 2014, foi colaborador no fanzine Vaibe América Latina, uma publicação de fotografias analógicas do coletivo Foi à Feira (Vitória-ES). Utiliza a fotografia como prática para compreender como o indivíduo se relaciona com suas próprias memórias e experiências a partir das relações de viagem, travessia e permanência, produzindo assim um olhar sobre as paisagens, os lugares e as pessoas. Além disso, a geografia física permeia suas pesquisas. É a partir dela que ele constrói possibilidades estéticas e conceituais para dialogar sobre as influências do meio e como interage com ele.

A arte educadora Li Vasc, é de João Pessoa-PB, no período de 27 de fevereiro a 12 de março de 2018,  trouxe para Belém sua experiência com o  projeto de fotoperformances: intitulado Série Nascer(dor). A proposta parte de pesadelos vivenciados pela artista entre 2014 e 2016, que utiliza diferentes diálogos como a fotografia analógica com filmes de isos baixos (6-25), processos de revelação alternativos, folhas, galhos, tecidos, xilogravura, gravura em lineóleo e outros objetos cênicos  para dar a imagem um efeito próximo aos pesadelos. “Meu interesse em realizar uma residência em Belém e junto a Fotoativa, consiste na experimentação do projeto com fotografias de pesadelos nesse estado”. Para o desenvolvimento da pesquisa, escutou as narrativas de moradores da cidade, sobre algum pesadelo que estes tiveram e montou uma espécie de banco de dados, com o objetivo de reconhecer as semelhanças e diferenças nas narrativas sobre os pesadelos. Após recolher esse material, organizou uma narrativa fotográfica sobre os pesadelos e apresentou aos depoentes para que eles pudessem fazer uma leitura sobre a representação construída.

Sobre a residente
http://www.fotoativa.org.br/blog/nike-tn-2.html http://www.fotoativa.org.br/blog/nike-tn-d22142.html http://www.fotoativa.org.br/blog/nike-tn-d22136.html http://www.fotoativa.org.br/blog/nike-tn-d22138.html http://www.fotoativa.org.br/blog/nike-tn-.html