
Convidado pelo Conséil Général du Départament du Val-de-Marne (França) a expor no Festival de l’OH! 2005, o fotógrafo-educador Miguel Chikaoka tomou como inspiração o fenômeno do olho d’água, muito comum na paisagem amazônica, para produzir uma ação cultural e educativa numa comunidade no interior do estado do Pará.
Surgiu então o projeto Olhos D’água, realizado na ilha de Colares (a 130 km de Belém), tendo como participantes em torno de 15 jovens e crianças, selecionados com a ajuda de educadores que já trabalhavam no local.
Em abril de 2005, uma equipe de fotógrafos e arte-educadores desenvolveu dinâmicas e oficinas das quais resultaram desenhos, pinturas, câmeras obscuras, fotografias pinhole, ideogramas e depoimentos sobre o tema olhos d’água, que se desdobraram em produtos, como cartões postais e camisetas.
No mês seguinte, alguns destes trabalhos e ainda um documentário de Patrícia Costa sobre a experiência foram apresentados em Paris, onde também foi ministrada a mini-oficina “Petits essais avec la lumière”, aproximando o público de situações semelhantes àquelas produzidas em Colares. Por fim, em setembro, uma edição completa do projeto voltou à ilha, instalando-se na praça central da cidade, com fotovaral, projeção do documentário e apresentação folclórica, reunindo público expressivo.
O projeto Olhos D’água, que teve os resultados expostos em Belém numa mostra em 2006, teve repercussão bastante positiva entre os participantes, perceptível no envolvimento dos jovens ao longo de todo o processo, na expressividade dos materiais produzidos, na elevação da auto-estima e no engajamento em relação ao tema abordado.
Esta iniciativa teve o objetivo de empreender uma mobilização pela prática solidária de construção e gestão de conhecimentos com foco na questão da água e encorajar o exercício de uma responsabilidade cidadã face ao uso e o destino desse elemento vital para a vida no planeta e se desdobrou no projeto Clic das Ilhas.